
Anoitece no mar, as sombras descem lentamente. Avisto o piscar de um farol distante, último baluarte antes da imensidão que se estende a meus pés. Mais perto, as luzes de algumas poucas casas e as ondas sozinhas que se desfazem na areia. No ar paira uma nostalgia que me leva até ti.
Pela rádio, ligada, ouço os ecos de engarrafamentos citadinos, de estradas congestionadas de trânsito, o final de um dia de trabalho, a pressa de chegar a casa, o jantar para fazer, as crianças para deitar.
Daqui, tudo isso me parece fazer parte de um planeta distante. Este local está, para mim, impregnado de uma tal paz que me parece longínquo o tempo em que eu própria me perdia nesses engarrafamentos.
A noite caiu, já, manto escuro sobre uma terra que adormece.
Deixo-me envolver pela serenidade desta hora e agradeço o momento que vivo.
*Out.2003