
Encontros, sem ser marcados,
palavras soltas ao vento,
sentimentos, emoções,
e, num fio de fantasia,
a luz que teima em brilhar.
Encontros, sem ser esperados,
alguns poemas, canções,
viagens feitas no mar
revolto, cheio de brumas,
com ondas de ilusões.
Encontros, desesperados,
sombras de nuvens escuras
em noites de temporal,
mas as palavras escritas,
os encontros, a ternura,
trazem um dia de sol.
Encontros, alguns desejados,
fiapos de tantas vidas,
alguma tristeza, despedidas.
E as palavras que fogem
transportando solidões.
Encontros! De almas gémeas?
Apelos inconscientes,
busca de países diferentes
onde o sol nunca se acaba.
E, nas palavras escolhidas,
um tactear de feridas.
Encontros, novos amigos,
tão diversos, mas iguais,
trazem a procura, escondida,
de filhos dos mesmos pais,
de ligações impossíveis, virtuais.
E, de todos estes encontros,
com alguém que nunca vemos,
fica um travo de amargura,
fica a certeza segura,
de, às vezes, encontrarmos
outros tão sós...como nós.
*Julho 2001