domingo, 6 de janeiro de 2008

Naufrágio II



No silêncio absoluto,
no azul imenso, imóvel,
repousa agora o navio,
entre rochas e mais nada.
O naufrágio anunciado,
temido, inevitável,
finalmente aconteceu.
O navio está no fundo!
Olha em volta, devagar,
passado o primeiro embate,
e reconhece contornos,
ausência de sensações,
o nada.
Desfeito em mil pedaços,
perdida a roda do leme,
não existem soluções.
Baixa os braços, fecha as asas
e tenta adormecer.
Uma coisa o incomoda
em todo este silêncio
de sinfonia perdida,
de música que ninguém faz...
o navio não encontra
a ilusão prometida
de uma maré de paz.


*Julho 2002

8 comentários:

Maria disse...

Nunca mais encontrará uma maré de paz.......
... todos os amantes do mergulho tentarão ir junto dele, estudá-lo, vê-lo, esventrá-lo, sei lá.....
Beijo

~pi disse...

eu quero

ser inventada

como

chama

linha

corpo d´ água

que não sabe

onde

c

a

i

a

.


.


.

PHYLOS disse...

Excelente seu blog, muito criativo, parabéns. Se tiver um tempinho, visite o meu. Abraço. Phylos (Brasil)

un dress disse...

também as sinfonias regressam

por saudade...

e os barcos :)






beijO

poetaeusou . . . disse...

*
Baixa os braços,
fecha as asas, ?
,
não,
,
no minimo tem uma
história para contar ...
,
jinos em andorinhas do mar
,
*

multiolhares disse...

Se o barco naufragou
Nada até á praia
As roupas rasgadas podem ser remendadas
E nova vida nascer
Beijinhos
luna

Rui Caetano disse...

A roda do leme somos nós, a direcção do destino do náufrago é decidida pela nossa vontade em vencer na vida.

maria m. disse...

talvez carregue a memória triste das circunstâncias de náufrago desfeito...
talvez a paz, de tão rara, seja dificílima de encontrar, ainda que no fundo do mar silensioso...