
Inútil, vazio, oco,
assim está o meu peito,
a cada dia que passa,
a cada sonho desfeito.
Perdi o norte, a esperança,
uma andorinha sem asas.
Sinto crescer as raízes
que me prendem, asfixiam
e me queimam como brasas.
Não vejo, nem posso ouvir.
Das sombras que me rodeiam
é impossível fugir.
Sei que existem outros mundos,
que há locais onde o sol
continua a brilhar
e os pássaros chilreiam,
mas aqui, onde me encontro,
os silêncios são profundos.
Inútil, vazio, oco,
assim está o meu peito.
Não encontro solução.
No deserto onde me deito
está desfeita a ilusão,
só me resta um grito rouco...
Onde estás, meu coração?
Tão vazio o meu peito.
*