quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Incerteza



Dos dias felizes de outrora
teci uma manta azul de memórias,
viagens imaginadas que nunca fizémos,
tardes serenas junto ao mar,
o brilho nos olhos.

Guardei-a, dobrada, em gavetas de cristal,
como tesouro intocável.

Depois, abri a janela ao luar,
às límpidas manhãs,
aos poentes dourados.
O melro voltou a cantar
nos arbustos do jardim.
Da encosta avisto novos horizontes
de contornos ainda indefinidos.

E julgo que sobrevivi.


*

9 comentários:

Baby disse...

Ahh, a vida é um eterno renascer, só precisamos ter a janela aberta, para que as manhãs nos iluminem a casa, oa poentos nos encantem as memórias e as noites enluaradas nos convidem ao sonho...
Lindo, o teu sentir.

Um beijo.

poetaeusou . . . disse...

*
é na ponta da manta,
do meu manto,
que destapo as memórias,
e no cheiro da maresia
ouço o cantar da cotovia,
em contornos de andorinha,
,
é belo o teu poema
,
conchinhas, deixo,
,
*

em azul disse...

Só se morre uma vez... entre a morte e o nascimento passamos por comas ou mortes aparente... e sobrevivemos sempre!

Um abraço
em azul

em azul disse...

Desculpa... esqueci-me de dizer que gostei do que li.

Duarte disse...

Claro que sim!
Eu estava convencido de que sim.
Tinhas que sacar tudo o que tinhas nessas gavetas.
Pôr tudo ao sol e ao vento.
Novos ventos virão e acariciarão a tua pele.
A vida segue contigo...

Que sejas muito feliz

Un beijo de de esperança

~pi disse...

lina a névoazinha no horizonte! :)


cheia de formas possíveis!



beijo ~

Multiolhares disse...

Julgas?
quanto tiveres a certeza é porque renasceste de verdade
beijos

Baby disse...

Que o melro cante todas as manhãs
e encha de lindos trinados a tua vida

Pelo mérito de tão lindos versos e amizade tomo a liberdade de repassar o “SELO PRÉMIO DARDOS” e convidar-te a continuar a caminhada.
Para mais pormenores visita a página BARLAVENTO

Fabrício Brandão disse...

A poesia nos redime com essas imagens sublimes de vida.

Saudações!