terça-feira, 21 de outubro de 2008

O nosso tempo


O relógio, que me deste no dia do nosso primeiro beijo, parou.
Quando mo puzeste no pulso, olhei-te e disse... " Todo o meu tempo será teu".
O relógio passou a bater ao ritmo do meu coração. Acelerado quando voava ao teu encontro, sereno quando, abraçados, víamos o pôr-do-sol, lento e triste quando nos afastávamos um do outro.
Marcou todos os nossos momentos de felicidade e até as ausências em que estavas sempre presente.
Há dias, quando te disse sentir a falta do teu carinho e recebi em troca um longo silêncio culpado, algo se partiu dentro de mim e o meu coração parou. Nesse dia o relógio parou tambem.

Dizem que as pilhas se gastaram. Não acredito. Receio que tenha sido o nosso tempo que terminou.



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sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Fumo


Ser o fumo do teu cigarro
penetrar na tua boca
permanecer em ti como um travo


*

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Quando se sonha



Quando se sonha
e no sonho se voa,
quando as asas das gaivotas
são navios que cruzam oceanos,
quando no azul do mar
se esconde o sol e a luz da lua,
nada mais importa.

Só o sonho transforma tudo,
até o silêncio e a dor
do cerrar de uma porta.


*

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Incerteza



Dos dias felizes de outrora
teci uma manta azul de memórias,
viagens imaginadas que nunca fizémos,
tardes serenas junto ao mar,
o brilho nos olhos.

Guardei-a, dobrada, em gavetas de cristal,
como tesouro intocável.

Depois, abri a janela ao luar,
às límpidas manhãs,
aos poentes dourados.
O melro voltou a cantar
nos arbustos do jardim.
Da encosta avisto novos horizontes
de contornos ainda indefinidos.

E julgo que sobrevivi.


*

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Réstia de luz




Desfeita que foi a teia,
perdidos todos os laços,
recordo em silêncio profundo
o sabor dos teus abraços.
Na noite que me envolve,
imóvel, sem respirar,
espero o nascer do dia,
aguardo um novo mar.



*

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Um dia destes




Um dia destes
ouvirás a minha voz
e não saberás quem fala

um dia destes
com tempo, perceberei
que o nosso tempo terminou

um dia destes
cada palavra tua
terá o sabor da despedida

um dia destes

*

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Pensando




Pensando que te vou ver
encho de sonhos os braços
acendo os meus desejos
apago em mim os cansaços
espalho rimas no chão
recolho versos e danças
esqueço a nuvem escura
lembro frescas madrugadas
adormeço dúvidas, incerteza
acordo as minhas esperanças
silencio trovoadas
abro a alma à ternura
cerro os olhos da tristeza.

Pensando que te vou ver
pinto o céu azul de poemas
escrevo amor em letras tristes
elevo-me no infinito
... e descubro que não existes.

*

domingo, 14 de setembro de 2008

Inútil



Inútil, vazio, oco,
assim está o meu peito,
a cada dia que passa,
a cada sonho desfeito.
Perdi o norte, a esperança,
uma andorinha sem asas.
Sinto crescer as raízes
que me prendem, asfixiam
e me queimam como brasas.
Não vejo, nem posso ouvir.
Das sombras que me rodeiam
é impossível fugir.
Sei que existem outros mundos,
que há locais onde o sol
continua a brilhar
e os pássaros chilreiam,
mas aqui, onde me encontro,
os silêncios são profundos.

Inútil, vazio, oco,
assim está o meu peito.
Não encontro solução.
No deserto onde me deito
está desfeita a ilusão,
só me resta um grito rouco...
Onde estás, meu coração?

Tão vazio o meu peito.



*

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Poema à varanda




O sol, o mar, o vento,
o azul do firmamento,
gaivota em voo leve,
nuvem branca que se esfuma,
ondas franjadas de espuma.

Vai para ti meu pensamento.



*

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Como ... ?



Era um sonho,
nada mais que um sonho.

Quando lhe julguei tocar,
esfumou-se.

Como pode um sonho,
deixar uma marca tão funda?


*