quinta-feira, 19 de março de 2009

Neblina





Quando em neblina
se escondem os dias
e do mar
se perde o rumor
fecho os olhos
enrolo-me em mim
e espero.



*

quarta-feira, 11 de março de 2009

Fica!




Porque o sol brilha
e a manhã se espreguiça
devagar
em prenúncio de primavera

porque o mar continua azul
e há velas no horizonte
leves como voo de gaivotas

abro os olhos
estendo as mãos
e peço

Fica!

*

domingo, 1 de março de 2009

Noite




Devagar vou voltando a ser eu
como só aqui o sei ser,
ouvindo a música das ondas,
deixando escorregar a noite.

Só aqui te sinto assim,
minha única companhia,
única estrela do meu céu.


*

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Vida



Tenho em mim a memória do teu corpo,
o calor da tua boca,
a doçura das mãos.
São marcas indeléveis.
Ninguém as pode apagar,
nem tu, nem mesmo eu.

Foi amor o que me deste?
Que importa o nome,
se foi vida e ainda subsiste?


*

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Brilhos





Através das sombras
há brilhos que teimam em sobreviver,
pequenos reflexos de esperança.

Sinto-os quando te sei comigo, apesar de todas as distâncias.

*

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Nascente



É nos teus olhos
que a ternura se espraia
e nos teus dedos
que o afago se constrói.

É junto a ti
a nascente de um rio
onde a vida se torna força
e alegria.

É em ti que existo
e só por ti.



*

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Nos teus olhos



Há nos teus olhos
um recomeço do mundo,
no teu sorriso
uma promessa de madrugada.
Só em ti o dia se ilumina,
azul, límpido, brilhante,
e o mar renasce em cada onda


*

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Incondicional




Imagino o carro a devorar quilómetros a caminho do sul, os teus olhos com fome de mar, algum cansaço e a necessidade de uma pausa.
Sinto que as palavras que envio podem não fazer sentido, agora que as rotinas foram quebradas.
Escrevo sem saber da aceitação, nem esperar resposta.
Escrevo porque te quero bem , e tal como te amo.


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domingo, 18 de janeiro de 2009

Fronteira

Hopper



Abro a janela, e por ela entra a manhã, o ar leve e o canto do melro que habita os canaviais.
Do mar sobe uma bruma suave que fica a pairar.
Atravesso a fronteira entre o sono e o sonho e desenho-te a meu lado.
Nada há mais triste que a tua ausência.


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domingo, 11 de janeiro de 2009

Juntos




O azul do mar é o mesmo
tanto aí como aqui.
E a leveza da espuma,
e o apelo de grandeza,
e a vertigem de infinito,
são os mesmos.

Estamos juntos,
tu e eu,
quando, apesar da distância,
as nossas palavras se abraçam.



*